[RELATO] Campeonatos Brasileiros Caixa de Corridas de Montanha – Santo Antonio do Pinhal

junho 1 | Escrito por Marilia | DESTAQUES

Daniel Gonçalves, autor do relato.

Olhar de quem correu…

Olá amigos, aceitei o desafio de colaborar com o site e, a partir de hoje, tentarei transmitir as minhas impressões nos eventos organizados pelas Corridas de Montanha. Não ficarei falando sobre mim, deixarei que vocês me conheçam aos poucos, na medida em que eu for postando textos, acredito que essa seja a melhor maneira de iniciar um vínculo saudável e promissor com todos aqueles que gostam das corridas de montanha. A título de curiosidade, o meu nome é Daniel Gonçalves, sou paulistano e corro há quase 11 anos (desde os meus 16 anos de idade). Participo das corridas de montanha desde 2008, quando experimentei essa modalidade ao me inscrever na etapa de Atibaia/SP.

Bom, falarei agora sobre o evento a que me foi disponibilizado este espaço. É inegável o aumento da procura pelas corridas alternativas, algo que seja diferente, que seja desafiador, que saia da mesmice do asfalto. Isso não significa que será o fim das corridas de rua, muito pelo contrário, atualmente existem ótimas opções de corridas, bom para nós atletas, bom para os organizadores, bom para os novos empreendimentos, enfim, no final das contas todos, de certa forma, saem ganhando. A 5ª etapa da Copa Paulista de Corridas de Montanha, confirmada para o dia 27 de maio, recebeu o “ingrediente” de ser também a edição especial dos “Campeonatos Brasileiros Caixa de Corridas de Montanha”, seletiva cujo vencedor terá a oportunidade de participar da prova sul-americana da modalidade.

O processo de inscrição é bem fácil, basta possuir um cadastro no site “Minhas Inscrições” (vinculado ao site oficial do evento) e em poucos cliques a pessoa já terá realizado a inscrição. As inscrições para esse evento custaram entre R$ 120,00 e R$ 140,00 respectivamente. A prova contou com duas modalidades: percurso curto de 8,6Km e longo de 12,6Km. Na véspera, retirei o kit, sem filas ou qualquer tipo de dificuldade, em seguida fui ao jantar de massas, no restaurante “Picanha & Pasta”, recomendado pelos organizadores e não me arrependi, fui bem servido, experimentei uma deliciosa picanha, além do desconto recebido por conta da parceria com a organização do evento. Não posso deixar de mencionar que estive na companhia da Vivian Pavão, que também estava inscrita para a prova. O kit, disposto numa sacolinha de boa qualidade, continha uma revista “Outside” (setembro de 2011 – repetida, pois já havia recebido a mesma na retirada do kit da última etapa), uma bela camiseta manga curta, dois números de peito (para o peitoral e as costas), um pacote pequeno de granola, a já tradicional canequinha, além de um voucher para utilização gratuita por 30 dias na equipe Selva Aventura.

O domingo amanheceu frio, mas com boa expectativa de sol, a concentração da largada ocorreu na Praça do Artesão, onde grande parte da logística estava montada. Notei poucos banheiros químicos, porém, não presenciei reclamação de ninguém a respeito, tampouco se formou grandes filas ao redor, o que é um ponto positivo para os organizadores. Como a chegada seria em outro local, no Pico Agudo, o sistema de guarda-volumes foi concentrado numa van tipo escolar, que se deslocaria até o ponto de chegada, sendo que o retorno dos atletas seria por meio de micro-ônibus, que traria os corredores de volta a Praça do Artesão. A largada foi um tanto confusa, pois o locutor anunciou que a modalidade curta largaria primeiro e que, dois minutos após, seria autorizada a largada da distância longa. O que de fato não ocorreu, pois a margem de tempo entre as duas modalidades não chegou sequera quarenta segundos. Alguns reclamaram, não foi o meu caso, o clima estava muito bom para que aquilo atrapalhasse o meu bom humor e disposição em enfrentar os desafios que viriam pela frente.

Achei o trecho inicial desnecessário, pois demos uma volta “perdida” nas duas principais avenidas da cidade até iniciar as temíveis subidas. A exemplo das edições anteriores, sob a justificativa de preservar o meio ambiente, não seria distribuído água em copos, portanto, cada corredor seria responsável pela sua hidratação. Notei que as placas de marcação foram dispostas de maneira decrescente, ou seja, a placa de 8Km significava que ainda faltava mais da metade da prova a ser percorrida. Não escondo a satisfação quando me deparo com trechos difíceis pela frente, é o grande “barato” das corridas de montanha, sou do tipo “quanto mais difícil melhor” (risos). Depois de um início monótono, o percurso foi ficando cada vez mais interessante, onde passamos por estradas rurais, subidas íngremes em estradas de terra em mal estado, por chácaras e sítios, cães soltos ao longo do percurso, enfim, obstáculos não faltaram.

Para a minha surpresa, quando cheguei ao primeiro posto de hidratação, a água estava sendo servida em copos descartáveis, por mais que isso beneficie os atletas (inclusive este que vos escreve), não deixa de ser uma infração ao regulamento. Dali em diante, iniciou a verdadeira corrida de montanha, isso porque foi um incansável sobe e desce, muitos caminhavam, outros tentavam trotar, essa foi a dinâmica até o final da prova. Não posso deixar de citar o excelente tempo naquele dia, o céu estava azul como os “Smurfs” (risos), havia poucas nuvens cobrindo o céu, em outras palavras, estava do jeito que qualquer corredor gosta. Não percebi o momento da dispersão entre os atletas com a numeração branca (longo) com os de numeração amarela (curto), sei após a metade da prova ultrapassei alguns corredores da distância menor. Diferentemente das edições passadas, não teve lama, barro e nem trechos em lagos, os percalços apareceram de outras formas, pelas subidas e barrancos, fico imaginando como seria o mesmo percurso percorrido à noite.

O melhor da “festa” ficou para o final, mais precisamente os últimos dois quilômetros, onde iniciei uma subida por uma estrada de terra irregular, com muitas pedras soltas, onde ora afunilava, ora surgiam grandes valas, penso que apenas moto ou trator é capaz de passar por aquele local. Enfim, até ali estava suportável, eis que já era possível escutar o locutor no alto do pico, portanto, não estava longe. Sem exceção, todos os corredores que estavam próximos, caminhavam, era quase impossível correr, quando atingi o final da subida, entrei num terreno de mato aberto que me conduziu até uma verdadeira escalada por um verdadeiro morro, o fato de estar usando luvas facilitou, pois senti mais segurança para usar os quatro apoios (pés e mãos). O final da escalada ainda reservou uma verdadeira escalada por um trecho muito estreito e íngreme em mata fechada, não conseguia enxergar o fim daquela subida, o cordão de isolamento era o meu guia, se por um lado não tinha a mínima noção para onde estava indo, ao menos sabia que aquele era o caminho certo.

Após aquela sucessão de subidas, um verdadeiro “clarão” surgiu a minha frente, vi os corredores que já haviam terminado incentivando aqueles que ainda estavam “enroscados” nos diversos trechos da montanha, e segui a passos largos para cruzar a linha de chegada com o tempo de 01h34min. Havia frutas, isotônico e água a vontade para os atletas, recebi mais uma parte da mandala, com a sensação de dever cumprido. Não perdi tempo e, aconselhado pela minha amiga Vivian Pavão, fui rapidamente até o micro-ônibus, que por sinal já estava cheio, e em pouco tempo já estava de volta a Praça do Artesão. Permaneci por mais algum tempo no local, conversei com pessoas da organização, dentre elas a Edna Carvalho, que me fez o convite para escrever para o site. Em relação aos amigos, encontrei o Jorge de Jesus, Toninho, o Marcelo Jacoto, o AntonioFarroco, a Betânia Ferreira e a Maria Lúcia (conhecida como Malú). Não demorou muito para os resultados preliminares serem divulgados, só não gostei porque foram afixados em apenas um local, causando uma enorme confusão entre os muitos atletas que ali estavam. Presenciei o Fábio Galvão, presidente da organização, prestar alguns esclarecimentos sobre a prova, informar a desclassificação de uma atleta (o que causou um certo desconforto), entre outras coisas. Não permaneci para assistir cerimônia de premiação, pois tinha que regressar a São Paulo.

Para finalizar, a prova em si teve uma ótima aceitação dos atletas, apenas faço ressalvas em três pontos:

1) Sobre a questão da largada, um dos momentos mais importantes do evento, a comunicação é fundamental para que não haja desencontro de informações. O locutor tem que estar integralmente sintonizado com os acontecimentos ao seu redor.

2) A não distribuição de hidratação em copos descartáveis ainda gera muita discussão, onde as pessoas estão divididas, alguns concordam, outros discordam. A organização deixou claro que não serviria água em copos, não foi o que se viu no evento. A água foi distribuída em copos, o que dá brecha para que outras situações que o regulamento proíbe ocorram e causem desconforto (dor de cabeça) para os organizadores.

3) Para que não haja tumulto na verificação dos resultados, seria interessante a organização fixá-los em diferentes pontos, assim dispersaria os atletas e causaria menos confusão. Percebi alguns atletas mais exaltados, alguns com pressa em ver o resultado, outros que, além do próprio resultado, permanecia para ver outras parciais, causando aglomeração.

Em linhas gerais gostei muito de ter passado o final de semana em Santo Antonio do Pinhal, a organização em si está de parabéns pelo ótimo evento que proporcionou aos atletas. O evento contou com a cobertura fotográfica do popular Tião Moreira e da equipe de fotógrafos do portal Foco Radical.Foi uma prova de alto nível, muito difícil, onde os obstáculos só engrandeceram a conquista daqueles que completaram esse desafio. Imagino a quantidade de boas histórias que surgiram depois dessa prova.

No próximo relato, escreverei sobre um assunto espinhoso: o regulamento das corridas de montanha (a questão da pontuação). Penso que será uma discussão interessante, pois teremos a oportunidade de saber a opinião dos principais personagens das Corridas de Montanha: nós, corredores.

19 Comentários para “[RELATO] Campeonatos Brasileiros Caixa de Corridas de Montanha – Santo Antonio do Pinhal”

  1. jose duardo disse:

    Segue a sugestão também de por os resultados do curto e do longo em locais diferentes

  2. Thays disse:

    Que legal…..
    Muito bacana este relato, muito bem escrito….me senti na corrida também. eu que não sou atleta já fiquei com vontade de correr também…ou trotar….ou apenas caminhar mesmo…mas curtir a vibe e o visual destes lugares.
    Parabéns……

  3. Paula Costa disse:

    Excelente relato! Sou iniciante no meio e consegui ter uma boa visibilidade do quão difícil são as corridas de montanha, porém despertou em mim a vontade de experimentar.

  4. Luis Antonio Figueiredo disse:

    Parabéns pela iniciativa de escrever o relato, Daniel.
    Porém, acho que deveria ser explicitado o motivo da desclassificação da atleta.
    Outro comentário sobre comportamento de atletas: Os representantes de Barueri demonstraram ser ótimos competidores, porém, péssimos cidadãos. Furaram a fila do guarda-volumes e desdenharam dos que aguardavam pacientemente por sua vez. Conduta antissocial lamentável.

  5. Adriana disse:

    Parabéns pela matéria! Minuciosa, completa, rica em detalhes. Será extremamente último para aqueles que pretendem participar de uma prova com essas características e precisam ter uma idéia dos níveis de dificuldade para adequação do treino, preparo físico, alimentação, etc. Utilidade pública!

  6. Roselaine Gallicio disse:

    Me senti fazendo a prova novamente..rs..rs..
    Muito bom o artigo Daniel…Parabéns!

  7. Odair Medrado disse:

    Daniel, boa tarde!

    Parabéns pelo post! Como descrito por outros participantes ler seu artigo nos remete as lembranças da corrida! Tive o prazer de ser um dos fotógrafos que realizaram a cobertura deste evento. Percebi que percurso foi árduo e ainda assim todos os atletas que passaram frente a minhas lentes estavam ANIMADOS e com muito GÁS ainda. rsrs

    A Organização foi ABSURDAMENTE cordial e hospitaleira e registro meus agradecimentos para Edna e Marília, que estiveram sempre atentas e solicitas.

    Parabéns!

  8. Carla disse:

    Daniel,querido amigo, Parabens pela sua aventura, pelo seu talento e sua alegria pelo seu esporte.Voce merece todas as oportunidades. Parabens voce merece, pela sua dedicacao!!

  9. Marcos Vieira disse:

    Bela narração, como já disseram, parece que estava correndo. Ler estes artigos, só aumentam a minha vontade de fazer as corridas de montanha. Breve, breve.. acho que faço a minha primeira em Paraibuna, nos encontraremos lá. Parabéns!

  10. Daniela Barcelos disse:

    Oi Daniel,
    Parabéns pelo relato e também por fazer parte dos colunistas deste site! Todos detalhes que você coloca com certeza ajudam muito aos corredores que participam destas provas, um olhar crítico sempre é importante.
    Aguardo suas próximas narrações.

    Um grande abraço e bons treinos!

  11. Damaris disse:

    Parabéns pelo relato, bem informativo e esclarecedor.
    Parabéns também pela prova!

  12. Solange Moraes disse:

    Dannnn, que maravilha!!!!!
    Parabéns meu querido amigo, já curtia os relatos que você faz, sempre com tanta criatividade, técnica, propriedade e alegria em seu blog.
    Agora, que gostoso, você abrindo novas frentes, desbravando trilhas, assim mesmo como você gosta, nessa nova fase que se inicia neste texto, olha, e eu só posso dizer que sou sua seguidora, justamente pela maneira simples e bonita com que você encara e descreve em detalhes as provas que participa, como se estivéssemos mesmo vendo tudo isso!!! Se é dom, se é talento, se é tudo junto, aproveita mesmo!!!! E Dan, sucesso sempre!!!!!!!!!!

  13. Érica disse:

    Parabéns! Muito bom meu amigo! Me senti correndo novamente, e vontade de voltar!( Breve)

    Parabéns mesmo !! Pelo talento, narração, sua alegria…e a promessa de corrermos juntos,
    está renovada rsrs.

  14. Érica disse:

    Parabéns! Muito bom meu amigo! Me senti correndo novamente, e vontade de voltar!( Breve)
    A promessa de corrermos juntos, está renovada…Esperando os próximos comentários..Abraço.

  15. carlos alberto viana disse:

    relato muito legal. gostaria de sugerir que quem grava os videos gravassem prinipalmente a chegada dos participantes pelo menos ja que entendo ser inviavel gravar tudo no pergurso. pelo menos as pessoas teriam a chegada e comprariam muito mais. obrigado pelo espaço.

  16. Antonio Farroco disse:

    Grande Daniel, foi ótimo vê-lo em SAPinal. Pena que não deu pra conversar um pouco mais. Parabéns por aceitar mais esse desafio de escrever e compartilhar suas experiências com todos. Você é um eterno otimista! Achei essa prova uma das mais mal organizadas. Mas, como você, não desisto nunca. Abraço

  17. Carlos Jose Benassi disse:

    Parabens meu caro amigo, a sua narrativa sempre foi muito boa, as suas aventuras enchem nosso imaginário de emoção, com certeza você irá contribuir de forma magnífica para este blog e poderá nos proporcionar momentos de reflexão, beleza e coragem, que nos faz tão bem….assim poderemos acompanhar os seus relatos com a certeza de podermos vivenciar mesmo que através da leitura, a experiência de um corredor….. Sucesso em sua nova empreitada….

  18. Roger Alphaville disse:

    Parabens Daniel, pelo relato, você é da minha categoria e disputo com voce o Campeonato Paulista, sei das dificuldades das corridas de montanha, SAP, eu corri no ano passado e não foi bagunçado, ja que o esquema das vans pra levar os atletas a praça, estava boa, mas parabens por passar aos atletas, toda a realidade de uma corrida de montanha, toda sua dificuldade e toda sua emoção, parabens..

  19. marta m silveira broggini disse:

    Parabéns Daniel!!!! você continua arrasando na narrativa… viajei para o local, ao ler seu relato… vou continuar esperando o livro… bj

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