Olhar de quem correu…
agosto 1 | Escrito por Marilia | ARTIGOS, DESTAQUES
A estreia de Paraibuna na Copa Paulista de Corridas de Montanha
Olá amigos, surpresas não faltaram na VII etapa da Copa Paulista de Corridas de Montanha, realizada na pequena cidade de Paraibuna. Prova inédita no calendário, isso foi sem dúvidas, um atrativo que despertou o interesse daqueles que buscam novos desafios. Havia dois tipos de distâncias: 12,9Km no percurso ‘longo’ e 5,8Km no ‘curto’. Nunca reparei nos gráficos de altimetria, sempre achei que o melhor “termômetro” numa uma prova é a impressão do próprio atleta no momento em que está encarando o obstáculo. Portanto, deixei as preocupações de lado e segui normalmente com a minha rotina de treinos na academia Bodytech.
A retirada do kit no primeiro dia (sexta-feira) ocorreu na loja Mundo Terra, unidade localizada no bairro de Higienópolis. Fui recebido pela Juliana e pela Marilia, que estavam encarregadas de entregar o kit para os atletas. Disposta na tradicional sacolinha personalizada, uma bela camiseta na cor laranja, uma revista Outside, número de peito, chip de cronometragem, granola, uma bananinha e folhetos dos patrocinadores (inclusive um cartão de desconto nos produtos da loja Mundo Terra). Uma pequena curiosidade: a bandeira da cidade de Paraibuna leva as mesmas cores da bandeira do México, sendo que a única diferença é o brasão no centro da bandeira.
Fui informado pela corredora Roselaine Galicio que os hotéis em Paraibuna estavam todos lotados, devido as obras de melhorias na cidade, os operários estavam hospedados para tal finalidade. Com isso, o jeito foi pensar em um plano “B”, o que não foi muito difícil, o atleta e grande amigo Jorge de Jesus me recepcionou em sua casa na véspera, visando facilitar o deslocamento até o local da prova no domingo pela manhã, juntamente com outro corredor, o Antônio, que solidariamente nos ofereceu carona. Dessa forma, saímos de Mogi das Cruzes por volta das 05h30min e em menos de duas horas já estávamos na fria Paraibuna. Fria porque os termômetros deviam estar marcando menos de quinze graus.
A concentração da prova ocorreu no estádio de futebol da cidade, mais precisamente na região do gramado, onde estava instalado o pórtico de largada, além de tendas dos patrocinadores e de algumas equipes de corridas. O locutor transmitia diversas informações, dentre elas frisava que não haveria distribuição de água em copos descartáveis, falou sobre a questão da largada, sendo que as 08h00min seriam os atletas do percurso longo e cerca de vinte minutos depois seria liberado o início da prova curta. O percurso podia ser compreendido como no formato do “número oito”, pois aproximadamente no quilômetro quinto, os atletas passariam próximos ao local da largada, dando prosseguimento para o lado oposto aos que foram percorridos no início. Também notei a presença de uma ambulância, medida imprescindível, em caso de algum atleta necessitar de cuidados imediatos decorrentes de acidentes provenientes da prova.
Não havia muitos atletas, somadas as duas distâncias, tivemos cerca de duzentos e trinta “corajosos” a enfrentar aquele percurso até então desconhecido. A largada do percurso longo ocorreu pontualmente as 08h00min, sendo o início pelas ruas da cidade, despertando a curiosidade dos moradores. Logo de cara vi uma cena curiosa: o corredor Felipe Vizioli correndo acompanhado com o “Jimmy Cliff”, assim chamado o seu esbelto cão. Num determinado momento, o asfalto deu lugar as famosas trilhas e estradas em terra batida, sendo percorridas em subidas. Por ser logo no início, tais obstáculos não assustaram, até aquele instante os atletas estavam encarando sem maiores dificuldades os aclives iniciais.
Dali para frente, a prova assemelhou-se a outras etapas, tais como “Santo Antônio do Pinhal” e “São Roque”, parecia que a soma dessas duas resultava no “Frankenstein” chamado Paraibuna (risos). Eram subidas inusitadas, porém, ao final delas, trechos em descida que servia como refresco aos atletas e também o melhor momento para acelerar, na tentativa de reaver o tempo perdido nos trechos em que a corrida deu espaço para uma inevitável caminhada. Ao atingirmos o cume do Morro do Panorama, uma impressionante paisagem surgiu diante de nós, com o céu absurdamente azulado, servindo com plano de fundo de toda aquela magia envolta sob nuvens densamente concatenadas umas nas outras. A neblina dava um ar de mistério e deixava o ambiente cada vez mais sinistro, apesar da intensidade dos raios solares insistir em mostrar-nos o caminho que devíamos seguir.
Os postos de água e frutas estavam postados em locais de fácil visibilidade, facilitando em muito aqueles que não haviam levado hidratação particular. Havia vários fotógrafos espalhados pelo percurso, um deles o carismático Tião Moreira, notavelmente conhecido no universo das corridas do país. A partir desse momento foi uma espécie de “morro abaixo, morro acima”, o percurso teve diversas ondulações, ora em pastos com gramado irregular, ora em trilhas sinuosas que mais pareciam armadilhas, com profundidades variáveis. Os atletas mais lentos eram solidários, davam passagem para os mais velozes, todos seguindo os preceitos da camaradagem. Quando parecia que a prova estava chegando ao final, fomos “presenteados” com a subida do Morro da Caixa D’Água, das ruas da cidade era possível avistar (de muito longe) a fila de atletas subindo, como se fossem “formiguinhas operárias” em direção ao pico daquele morro. Nesse momento encontrei várias pessoas do percurso curto, que largaram a partir o quilômetro quinto (fazendo a metade do “oito” – risos).
O final foi eletrizante, imprimi um ritmo acelerado numa trilha recheada de depressões e pedras escorregadias, tomei o máximo de cuidado para evitar torções, pois uma pisada em falso poderia resultar em sérios problemas. A chegada ocorreu no mesmo local da largada, com o locutor enaltecendo nominalmente cada atleta que concluía a prova. Apesar de ter percebido a ausência do locutor “maquininha”, o titular do microfone naquele dia não deixou a desejar, mantendo empolgação e a sintonia com os concluintes daquele desafio. Terminei a prova com o tempo de 1h25min, ficando na 29ª colocação geral, de um total de 123 (cento e vinte e três) que se aventuraram no percurso longo. De quebra, ainda belisquei um 3º lugar na categoria 18-29 anos, o que me rendeu o segundo pódio consecutivo nas Corridas de Montanha.
A recepção foi a melhor possível, com frutas a vontade para os atletas (banana, mexerica, maçã e melancia), além de vários galões de isotônico a bel prazer. Troquei o chip de cronometragem pela medalha (mais uma parte da composição da futura mandala), e fui aguardar os resultados preliminares (até aquele momento não sabia do meu resultado). Conversei com algumas pessoas que estavam ali, uma forma de sociabilizar e escutar boas histórias, inclusive de atletas que já estavam inscritos para as próximas corridas, desde a Corrida Noturna em Piquete (25/08/12) até os mais ousados desafios, como a Maratona da Chapada da Diamantina (13/10/12), todos organizados pelas Corridas de Montanha.
Foi muito gratificante ter subido novamente ao pódio, mas mais do que isso, ter sido testemunha presencial da estreia de Paraibuna no calendário da Copa Paulista de Corridas de Montanha. Juntamente com um belo troféu, fui agraciado com kit de “Bananinhas”, típico da região, que dividirei com minha família e amigos.Dessa vez não utilizei o guarda-volumes, mesmo assim, correndo o risco de não ser imparcial, arrisco a dizer que não houve problemas, pelo menos nada que tenha causado estardalhaço. Espero que a prova permaneça no calendário para 2013, pois tenho certeza que tanto este artigo, como a impressão deixada por todos que lá estiveram, servirá de base para que desperte o interesse de outros atletas em participar.
Para finalizar, não posso deixar de mencionar o corredor Antônio, conhecido como “Toninho”, figura folclórica nas etapas que, apesar de não estar inscrito na prova, fez a “sua” largada com quinze minutos de antecedência (07h45min) e percorreu integralmente o percurso longo. Ele já havia realizado, nas mesmas circunstâncias, tal feito na etapa em Paranapiacaba/SP (3ª etapa). Merece os nossos aplausos e os devidos reconhecimentos, pois além de ser um grande ser humano, faz o “impossível” para não ficar de fora de nenhuma etapa do circuito, sempre prestigiando as Corridas de Montanha.
A VIII etapa da Copa Paulista de Corridas de Montanha será realizada na cidade de Piquete/SP que, além de ser no sábado (25/08/12), será noturna. Então, não percam, pois emoções e desafios não faltarão! Até a próxima pessoal!
Daniel Gonçalves corre provas desde os 16 anos de idade (2001), autor do Blog Fanáticos por Maratonas (www.fanaticospormaratonas.blogspot.com.br), no exterior, já correu a Meia Maratona de Buenos Aires (2008), Meia Maratona de Lisboa (2009), Maratona K42 Argentina (2009), Maratona de Paris (2010), Maratona de Florença (2010) e Meia Maratona das Geleiras (2012).


Dan, mais um desafio e mais uma vitória na sua trajetória, Parabéns!!!! Não sabe como fico feliz com seu sucesso merecido, claro que ele advém de luta, garra, determinação e de um amor profundo pelo esporte e pelo que você faz!!! E claro, não posso deixar passar esse céu de “brigadeiro”, sensacional que vi numa das fotos, se bem que em outra, realmente pareceu “sinistro”, rsrss
Mas fica aqui meu abraço pelo seu 2º pódio consecutivo e ah…adoro bananinha de Paraibuna!!!
Daniel, muito bom seu artigo…Parabéns.
E que venha Piquete…
Olá Roselaine, agradeço pelo comentário e que venha Piquete!!!
Olá, Daniel!
Parabéns pelo artigo e por seu resultado na prova.
Meu único desagrado é pelo comentário dedicado ao senhor “Toninho”. Não o conheço (ele) pessoalmente mas, participar como “pipoca”, sem fazer inscrição, é uma atitude pouco louvável que já foi abordada seriamente em outros veículos de comunicação.
Bons treinos!
Olá, Figueiredo
Sou apaixonado pelas montanhas, adoro o sobe e desce, estar lá no alto e logo depois lá embaixo.
Um lado da moeda:
Duas semanas antes da prova, tive uma “avaria física”, ao ser atingido no quadril por um veiculo da CPTM na faixa de pedestre (Manifestação Nº 2012/027356, do Departamento de Atendimento da CPTM)
A Moeda:
Gastei demais… (quebra de um aparelho indispensável, para o exercício de minha profissão)
O outro lado da moeda:
Fui fotografar, lógico que trotando, postei na segunda no Facebook da Corridas de Montanha.
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.115317838615014.30241.100004103963755&type=3
Minha intenção era realizar o primeiro trecho do longo fotografando no sentido da corrida, depois iria no sentido oposto para fotografar os atletas do “curto”. Perguntei para um “Staff”, o trajeto da chegada. Como não soube informar, resolvi continuar no trajeto do longo, documentando a prova.
Considero-me um “Pipoca” apenas por subir e descer (os morros), e dar uns pulinhos para ultrapassar alguns obstáculos.
Abraços
PS: O curioso é que o local principal da lesão foi o joelho (está melhorando)
E Paranapiacaba???
É mais do que especial, foi minha primeira no Circuito Brasileiro de Corridas de Montanha, em 2004.
Oficialmente, participei em 9 corridas (04,05,06,07,08,08,09,10,11).
-Psiu… Toninho, dá uma olhada na outra linha, vc digitou 2008 duas vezes.
Poucos sabem: 2008 foram duas.
Neste ano (2012), tinha um casamento no mesmo dia, pela primeira vez estaria ausente.
Fiz todos os cálculos possíveis, pensei em mudar para o “curto”, não daria certo, a largada atrasou 30 minutos. (vi a largada)
Surgiu a ideia de percorrer de forma extraoficial na parte da manhã.
Iniciei a minha corrida atrasado às 12:00h. ( também fotografando)
Descobri que o riacho tem águas claras, é possivel ver as pedras.
Que o primeiro corredor já é campeão por levar muitas teias de aranha no seu corpo. (não precisa agradecer…)
Que a sinalização não estava 100%, uma estava virada.
Encontrei uma moto atolada no percurso longo, descobri que vinha um grupo grande de motos, avisei da corrida, dos horários de largada e dos trajetos diferentes.
Oficial + Extraoficial = 10 percursos.
De bom tamanho.
Lembrando ainda que as duas primeiras foram de 21 km.
Em 2006, foi a primeira do rio e a primeira considerada oficial pela CBAt.
O mais importante é o percorrer pelas trilhas, livre…
Bons Treinos!!!
Grande Toinho!
É sempre uma grande alegria ter e ver a sua presença nas provas, atleta aficionado pelas montanhas, pelas corridas, e sempre participando e interagindo positivamente de uma forma ou de outra conosco participantes e com todos.
Atleta veteraníssimo e, na minha opinião, terá sempre seu lugar “hors concours”.
Como você mencionou: “O mais importante é o percorrer pelas trilhas, livre…”.
Forte abraço.
Pedro
Olá Figueiredo,
Escrevi o texto, para tentar esclarecer que fui para Paraibuna apenas para rever os amigos e fotografar o máximo de participantes.
Tua foto ficou boa.
http://img502.imageshack.us/img502/9195/428414.jpg
Abraços
Caro Luis;
Tenho maior apreço pelos participantes das provas e não poderia deixar de informa-lo que o Dr Toninho é super conhecido e participante assiduo das provas de montanha, aliás, acredito que até antes de VSª.
Ele não é aqueles caras que aparecem em diversas provas sem efetuar inscrição;
E mesmo quando efetua inscrição, demonstra um espirito de coletividade exemplar, não se preocupa com resultados em performace, auxilia e incentiva todos os atletas antes durante e depois das provas, e é poi isso que é super conhecido, respeitado e admirado pelos praticantes destas provas, desde que o Fábio iniciou com o que era o Circuíto Brasileiro de Corridas em Montanha;
Convido-o a conhecer o Dr. Toninho na primeira oportunidade que tiver; VC ganhará um grande camarada, como todos os que já o conhecem!!!
forte Abraço!!!
Caros Jorge, Toninho e demais corredores,
Vocês tem toda a razão. Sou obcecado por cumprir normas, prazos e regulamentos.
Eu nasci no país errado. Por favor, me desculpem.
Prometo não mais interferir na alegria e na exuberância do povo brasileiro.
Luis, também sou doido por prazos e regulamentos. A gente, às vezes, se cobra muito, né?
Eu também aprendo muito com os debates e ideias dos corredores, dos não-corredores, das famílias, dos amigos e das pessoas que têm ideias. Todo bom debate é salutar.
Por isso acho que sua interferência é sempre boa pois nos traz mais ideias.
E faço uma piada comigo mesmo. Escuta só: acho que meus avós japoneses, quando vieram da Terra do Sol Nascente, lá no porto de Tóquio, pegaram o navio errado. Perguntei a eles: Vô, não era o navio para o Reino da Dinamarca que vocês deveriam pegar? rssss
Ou eles eram malucos curiosos? Acho que nós nascemos certo e no lugar certo. Eles é que pegaram o navio errado! rssssssss.
Não esquenta, amigo! O Toninho é gente boa para caramba e já virou essa página. Vamos nos falando. Bóra treinar, bóra correr! Receba um fraternal abraço!
Pedro
Olá Daniel,
Adorei o artigo!!!!!
Parabéns!!!!!
Vc Merece!!!!!
Bjs
Olá Daniel,
Também gostei, do artigo e da presença.
Abração
Toninho;
Sou suspeito em falar, mas tenho certeza que alguns comentários de quem não sabe valorizar o espirito de participação que VC demonstra, independente de efetuar ou não a inscrição (o que é bem diferente daqueles que só pipocam), não vai abalar esta estrutura!!
Forte Abraço!!!
Adorei a presença do Jimmy Cliff…..bem bacana mesmo. Pois além de estimular o exercício físico aos atletas, a corrida tbm serviiu para um belo passeio para o cãozinho e uma oportunidade a mais dele e seu dono estarem juntos.
Muito legal a iniciativa. Deveriam haver mais corridas assim: em dupla…rsrs
Oi Thays! Acho q poderia se criar essa categoria! hehe!!
Da próxima vc leva o seu!
Abs
Oi Dani,
Parabéns pelo excelente artigo e também a grande prova que realizou. É preciso muita coragem mesmo para encarar um percurso deste tipo. Fico muito feliz em ver que você se identifica com as corridas de montanha e está tendo ótimos resultados além da conquista de troféus.
Fico no aguardo dos próximos relatos, gosto muito mesmo de ler todos!
Um grande abraço e ótimos treinos!
Parabéns…Daniel Gonçalves, pelo artigo e pela visão maravilhosa que teve ao corre em minha cidade natal !! Espero que no ano que vem eu possa acolher melhor todos vocês. Sei que faltou Hotéis para muitos mas também foram pouco divulgados as pousadas que temos na zona rural que com certeza daria para atender muito mais corredores. Agradeço ao Fábio Galvão(Corridas de Montanha) por acreditar no potencial da cidade e também em mim. Tivemos pouco apoio dos órgãos municipais devido ser ano eleitoral, mas com muito vontade, determinação e, ajuda dos comerciantes locais principalmente, Bananinha Paraibuna, realizamos com sucesso a VII Etapa. Quero agradecer ao Felipe Vizioli e ao seu cãozinho Jimmy Cliff que me cederam um gelzinho, na altura do km 10,5. Estava exausto devido ter ajudado a equipe Corrida de Montanha marcar todo percurso no sábado; só o morro da caixa d’água subi duas vezes !!
Ae Tiãzinho! Td bom?
Foi uma prazer termos ajudado vc! Espero q tenha terminado bem a prova.
Da próxima vez, vc q me ajuda com uma Bananinha Paraibuna hein!
Se tiver facebook me adiciona!
Abraços.
Parabéns pelo comentario. Minha idade não me permite me aventurar. Então só participo quando sei realmente conseguirei completar e me baseio na altimetria quando tem.
Um abraço
Paula
Ae Daniel! Bacana o texto! Parabéns! Abraços
Adorei seu artigo, Dan ! Parabéns !!!